Vaticano II: a nova compreensão de Igreja, a nova visão vocacional

A Igreja se compreende toda ela vocacionada. O Batismo é que é a fonte de todas as vocações. A mais fundamental de todas as vocações é a vocação cristã. O batismo, pelo dom do Espírito Santo, configura o leigo discípulo missionário de Jesus;

Ser discípulo de Jesus é o começo de tudo. O Capítulo IV da Lumem Gentium (Luz dos povos) e ainda o decreto Apostolicam actuosidatem, (sobre o apostolado dos leigos) delineia e explana o alcance desta vocação e missão.  Claro que a base é bíblica (cf. 1 Cor 12, 1ss, Efésios capítulos 3 e 4.) que tratam da diversidade de carismas e ministérios, dons do Espírito para formar a comunidade, o Corpo de Cristo.

É a partir dessa vocação básica do povo de Deus, a vocação do cristão leigo discípulo missionário, é que vão sendo configuradas as vocações específicas, como os ordenados, os consagrados e consagradas, os de vida contemplativa, etc.

ANTES do Concílio vaticano II, se falava- em vocação só para os ordenados, consagrados e monges… ou seja vocação era somente as vocações específicas. Não existia pastoral vocacional, e sim “OBRA DAS VOCAÇOES”, entendida como campanha de oração e manutenção dos Seminários diocesanos ou congregacionais. AGORA se redescobre, com toda força, ênfase e relevo, a VOCAÇÃO BATISMAL. A vocação de todo povo de Deus à SANTIDADE, pela participação no sacerdócio comum de Jesus Cristo! Agora se fala em vocação leiga, em vocação cristã, como a vocação básica que faz, que gera, que constitui o povo de Deus, é a vocação raiz, matriz de todas as vocações.

Se redescobre a ministerialidade da Igreja, de toda a comunidade, constituída pela diversidade de dons e carismas suscitados pelo Espírito para formar o Corpo de Cristo, que é o corpo eclesial (Teologia Paulina).

Essa nova eclesiologia é que dá nascimento à pastoral vocacional, claramente explanada nos documentos eclesiais. É a nova maneira de animação vocacional, como tarefa da Igreja universal.

O próprio Papa passou a escrever uma carta e instituir uma jornada mundial de oração pelas vocações e delegou essa tarefa à cada Diocese, a de articular, constituindo sua própria pastoral vocacional para cultivar a dimensão vocacional de toda a Igreja, de toda a comunidade, proporcionado acompanhamento e discernimento para as vocações específicas.

Estamos no Ano Vocacional, assim sendo redescubramos o privilégio de ser Igreja, de ser seus trabalhadores, que o sejamos com toda alegria e coragem: corações ardentes e pés no caminho.

Amém.

(+Dom José Aristeu Vieira)