Pe. Douglas Xavier é nomeado pelo Papa Francisco como Juiz Eclesiástico

Publicado em: 8 novembro 2019
Bernadete Seixas

Recentemente, o padre Douglas Rodrigues Xavier recebeu a notícia que foi nomeado pelo Papa Francisco como juiz do Tribunal Eclesiástico da Igreja Católica.

Este salto admirável para um sacerdote ordenado há apenas dois anos deve-se ao perfil do padre Douglas. Sereno, gentil, educado e de fala mansa, o atual vigário da Paróquia Nossa Senhora do Rosário é pessoa de sólida formação acadêmica e grande devoção pelos estudos. Advogado com duas especializações, padre Douglas deixou o mestrado em Direito para ingressar no seminário, em 2011. Atualmente fala quatro línguas com fluência: Português, Inglês, Latim e Espanhol. Conhece também o Hebraico. Gosta de estudar oito horas por dia.

Quando ocorreu sua nomeação para o cargo de juiz do Tribunal Eclesiástico da Igreja?

O decreto de nomeação chegou às minhas mãos, vindo de Roma, datado do final de julho de 2019. Mas eu realmente só soube da notícia há, aproximadamente, um mês. Costuma demorar um pouco mesmo, pois quando um documento de caráter oficial vem de Roma costuma passar pela Nunciatura Apostólica, em Brasília, e depois é encaminhado à Cúria da Diocese, em Luz, e, só enfim, entregue ao destinatário.

O que significa este cargo e quais suas atribuições?

A Igreja Católica é muito maior em termos de estrutura e presença no mundo do que se pode imaginar. Há muitos que imaginam a Igreja somente como aquele templo edificado, outros tem contato somente por meio de uma missa aos domingos e outros até, mais envolvidos, trabalham nas pastorais e movimentos. Mas, mesmo assim, desconhecem a estrutura eclesial total de nossa Igreja.

A Igreja Católica é uma Igreja-Estado, ou seja, a Santa Sé é um país, inclusive com representação direta na ONU. Por isso, a Igreja tem seus órgãos de governo. Entre esses estão os Tribunais. Para ter uma referência, assim como em nossa cidade temos fórum, juiz, promotor, notários, e advogados, a Igreja tem exatamente a mesma coisa. Aliás, vem da Igreja essa herança de justiça e organização que temos hoje na sociedade civil.

A nomeação que recebi foi para atuar como juiz no que chamamos tecnicamente de Tribunal Eclesiástico, ou seja, o Tribunal da Igreja Católica. Ele tem reconhecimento civil por meio do tratado Brasil-Santa Sé celebrado em 11 de fevereiro de 2010. Minha atribuição, portanto, será de julgar.

No ordenamento jurídico-canônico haverá processos em que julgarei monocraticamente e outros de modo colegiado. Os processos que chegam ao Tribunal Eclesiástico são vários: assuntos relacionados à vida dos religiosos, religiosas e leigos consagrados, questões disciplinares e patrimoniais, nulidade matrimonial e sacramental, disciplina dos sacramentos, desvios de conduta, além das matérias criminais e outros.

O Papa Francisco, por meio do cardeal Dominicus Mambert, presidente do Tribunal da Signatura Apóstolica – o Tribunal Superior Romano – após análise de currículo e de títulos e apresentação de saber jurídico e eclesiástico, achou por bem me confiar essa nomeação.

Você continuará exercendo suas atividades como vigário da Paróquia Nossa Senhora do Rosário em Bom Despacho?

Sim, até segunda ordem. Por enquanto não recebi nenhuma comunicação em contrário. Estamos nos organizando, a paróquia e eu, para continuar prestando um bom serviço aqui na condução do povo de Deus, na assistência aos fiéis e, ainda, trabalhar junto ao Tribunal.

Estou à disposição da Igreja. Onde ela precisar de mim, lá devo estar, ainda que isso possa contrariar minha vontade pessoal, meu desejo interior. Mas eu sou padre da Igreja e para a Igreja, não existe projeto pessoal para quem ama à Cristo e deseja segui-lo para sempre.

Que mensagem deixa para os fiéis?

Agradeço a todas as pessoas que ao saberem da nomeação me parabenizaram. Mas peço, por favor, rezem por mim! Parece chique ser juiz! Passa a ideia de cargo, de poder, de supervalorização, mas, com sinceridade, para mim nada mais é que serviço prestado. Não sou melhor ou maior que qualquer outro irmão padre. Talvez sim, eu tenha estudado um pouco mais, me dedicado mais às ciências e ao saber, mas isso, por si só, não me faz mais santo ou melhor que ninguém.

Me sinto até constrangido. Afinal, embora os títulos jurídicos, de fato eu os tenho, ter certa experiência operando o direito e algum conhecimento sobre as leis canônicas, penso que nesse mundo afora há padres mais aptos que eu. No entanto, se o Papa quis me confiar esse encargo, se os bispos entenderam que eu tenho capacidade espiritual e técnica para exercer tal encargo, com humildade e obediência devo dizer: “Eis aqui o servo do Senhor, faça-se em mim segundo a Vossa palavra”.

Não é motivo de glória, mas é trabalho, muito trabalho e com coisas muito sérias.  Aos católicos e às pessoas de boa vontade peço orações. Agradeço os cumprimentos e garanto que como padre que sou, independente da atividade que exercer, terei sempre frente aos meus olhos, e como missão, a salvação das almas. Tudo sempre como meu lema de ordenação sacerdotal: propter Christum et pro amore eclessiae (Por causa de Cristo e por amor à Igreja).

.Fonte: IBom

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