Papa exorta consagrados à paciência corajosa de caminhar

Publicado em: 2 fevereiro 2021

Reflexão do Pontífice foi na Missa pelo Dia Mundial da Vida Consagrada; ele indicou três lugares onde a paciência se concretiza

Jéssica Marçal
Da Redação

O dom da paciência foi o ponto central da homilia do Papa Francisco nesta terça-feira, 2, Festa da Apresentação do Senhor e Dia Mundial da Vida Consagrada.

Francisco falou aos consagrados sobre três “lugares” onde ela concretiza: a vida pessoal, a vida comunitária e o mundo. E deixou um apelo: paciência corajosa para procurar o que o Espírito Santo sugere.

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O Evangelho do dia traz a figura de Simeão. O Papa destacou que Simeão soube esperar com paciência o cumprimento das promessas do Senhor. Mesmo com o passar dos anos, manteve acesa a esperança e não se deixou levar pelo tempo passado. “A paciência de Simeão é espelho da paciência de Deus”, disse.

Vida pessoal

Da paciência de Simeão e de Deus, o Papa partiu para a paciência na vida consagrada. Ele indicou os três lugares onde ela se concretiza, sendo o primeiro deles a vida pessoal.

Francisco recordou que, um dia, os consagrados responderam ao chamado do Senhor, mas ao longo do caminho também tiveram decepções e frustrações. E reconheceu que pode acontecer da esperança esmorecer por causa disso.

“Devemos ter paciência conosco e esperar, confiantes, os tempos e as modalidades de Deus: Ele é fiel às suas promessas. Lembrar-nos disto permite repensar os percursos e revigorar os nossos sonhos, sem ceder à tristeza interior e ao desânimo.

Religiosos acompanha Missa com o Papa, de máscara, em virtude da pandemia / Foto: Reprodução Vatican Media

Vida comunitária

A vida comunitária é o segundo lugar onde se concretiza a paciência, segundo Papa Francisco. Nesse âmbito, o Pontífice considerou as situações de conflitos, mas enfatizou a necessidade de saber dar tempo ao tempo e procurar não perder a paz.

“Nas nossas comunidades, requer-se esta paciência mútua: suportar, isto é, carregar aos próprios ombros a vida do irmão ou da irmã, incluindo as suas fraquezas e defeitos. Lembremo-nos disto: o Senhor não nos chama para ser solistas, mas para fazer parte dum coro, que às vezes desafina, mas sempre deve tentar cantar em conjunto”.

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Paciência com o mundo

O último ponto abordado pelo Santo Padre na homilia de hoje foi a paciência com o mundo. Aqui o Papa citou o exemplo de Simeão e Ana, que mantiveram a esperança mesmo se ela tardou a se realizar, mesmo diante das ruínas do mundo. Simeão e Ana não ficaram lamentando o que estava errado, frisou o Pontífice, mas souberam esperar.

“Precisamos desta paciência, para não acabarmos prisioneiros das lamentações: ‘o mundo já não nos escuta’, ‘já não temos vocações’, ‘vivemos tempos difíceis’… Às vezes acontece que, à paciência com que Deus trabalha o terreno da história e do nosso coração, opomos a impaciência de quem julga tudo imediatamente. E assim perdemos a esperança”.

Francisco concluiu a homilia reconhecendo os desafios da vida consagrada e convidando os consagrados a não pararem diante deles.

“Precisamos da paciência corajosa de caminhar, explorar novos caminhos, procurar aquilo que o Espírito Santo nos sugere. Contemplemos a paciência de Deus e imploremos a paciência confiante de Simeão, para que também os nossos olhos possam ver a luz da Salvação e levá-la a todo o mundo.

Fugir das fofocas e manter senso de humor

Antes da benção final, o Papa ainda deixou mais algumas palavras de encorajamento aos consagrados. Embora ali na celebração estivessem poucos presentes, por causa da covid-19, é preciso paciência e seguir adiante, disse. E fez duas indicações que podem ajuda nisso: fugir das fofocas e não perder o senso de humor. As fofocas matam a vida comunitária, destacou o Papa. E o bom humor ajuda a seguir adiante: saber rir de si mesmo, das situações, com bom coração.

“Isso que recomendo a vocês não é um conselho clerical, digamos assim, mas é humano, é  humano para levar adiante a paciência. Jamais falar mal dos outros – morda a língua – e não perder o senso de humor, isso vai nos ajudar muito. Muito obrigado a vocês por aquilo que fazem, muito obrigado pelo testemunho. Obrigado mesmo!”.

Cardeal Braz de Aviz

Concelebrando com o Papa Francisco,  o cardeal brasileiro João Braz de Aviz, que é prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.

Cardeal João Braz de Aviz saúda o Papa ao final da Missa pelo Dia Mundial da Vida Consagrada / Foto: Reprodução Vatican Media

Ele fez uma saudação ao Papa ao final da Missa de hoje. Lembrou que a data é muito querida a toda a vida consagrada e já é celebrada há 25 anos. Neste tempo de pandemia, destacou a proximidade do Papa junto a toda a Igreja, à vida consagrada e a todas as pessoas.

“Seus gesto e palavras de pai, marcados pela fé, pelo amor ao Senhor e por um testemunho luminoso de vida nos encorajaram e alimentaram de esperança”, disse. O cardeal acrescentou que a celebração deste ano não foi como a dos anos anteriores, com a presença de tantos consagrados, mas continua marcada pela gratidão frutífera que caracteriza a vida dos religiosos.

Cardeal Aviz comentou as notícias que chegam das comunidades de vida consagrada em todo o mundo nesse cenário de pandemia. Relatos de dificuldades, mas que também falam de fidelidade testada pelo sofrimento, de coragem.

“Obrigado, Santo Padre, por estar perto de nós na Igreja, por sempre nos mostrar o caminho seguro que é Jesus. Essa sua presença tão próxima e transparente nos dá muita força e aumenta a nossa alegria. Todos nós consagrados e consagradas rezamos pelo senhor”, concluiu.

Sobre o dia da vida consagrada

O Dia Mundial da Vida Consagrada foi instituído pelo Papa João Paulo II, hoje santo da Igreja, em 1997. A data é celebrada anualmente em 2 de fevereiro, Festa da Apresentação do Senhor.

Fonte: CN

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