“O mundo precisa de fraternidade e esperança tanto quanto de vacina”, afirma o Papa Francisco

Publicado em: 10 fevereiro 2021

Papa discursou hoje aos embaixadores, ocasião em que destacou a necessidade de fraternidade e esperança para os problemas da humanidade

Da Redação, com Vatican News

Papa Francisco fala a embaixadores acreditados junto à Santa Sé / Foto: Vatican Media via Reuters

O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta segunda-feira, 8, o corpo diplomático acreditado junto à Santa Sé. Aos embaixadores, destacou que fraternidade e esperança são os remédios para o mundo.

Esse encontro com os embaixadores é um dos eventos mais tradicionais do ano no Vaticano. Na ocasião, o Papa analisa a atual conjuntura sociopolítica mundial. Além disso, deixa suas felicitações aos mais de 180 países com os quais a Santa Sé mantém relações diplomáticas.

A pandemia e suas consequências guiaram a reflexão de Francisco. O Pontífice citou em seu discurso as crises que a covid-19 provocou em escala global. E afirmou: o mundo está doente, e não só por causa do vírus.

Crise sanitária
A doença e a morte ficaram muito mais palpáveis com a pandemia, lembrou o Papa. Isso leva a recordar o valor de cada vida humana e de sua dignidade, desde a concepção até o fim natural.

Francisco manifestou sua dor com o fato de que muitas legislações no mundo se afastaram do seu dever primário de defender a vida, legalizando o aborto com o pretexto de garantir “pretensos direitos subjetivos”.

Mais uma vez, o Pontífice renovou seu apelo para que os cuidados na área na saúde, como as vacinas, por exemplo, estejam à disposição de todos, sobretudo dos mais vulneráveis. Mas lembrou que é responsabilidade de todos manter um comportamento responsável para si e para os demais.

Crise ambiental
Não é apenas o ser humano que está doente, a Terra também está, afirmou o Papa. Ele citou a exploração indiscriminada dos recursos naturais e as mudanças climáticas, que provocam, por sua vez, insegurança alimentar e desastres ambientais.

Burkina Faso, Mali, Níger e Sudão do Sul foram alguns dos países destacados. Mas também a Austrália e a Califórnia.

Crise econômica e social
No campo econômico, o Papa citou as dificuldades que emergiram das quarentenas e lockdowns adotados para conter o vírus. Aumento do desemprego e vulnerabilidade social são duas delas.

Crises humanitárias foram acentuadas, como o tráfico de seres humanos, a exploração da prostituição e o fluxo migratório. O Papa mencionou a tensão na região moçambicana de Cabo Delgado, na Síria e no Iemên. E as violações cometidas contra milhares de deslocados, refugiados e repatriados.

Esta crise evidenciou que é necessária uma “nova revolução copernicana”, que coloque de novo a economia a serviço do homem e não vice-versa. E recordou que a Santa Sé considera ineficaz a lógica das sanções de um país contra o outro.

“Oxalá esta conjuntura que estamos a atravessar sirva, igualmente, de estímulo para perdoar ou, pelo menos, reduzir a dívida que pesa sobre os países mais pobres, impedindo efetivamente a sua recuperação e pleno desenvolvimento.”

Crise política
A política também sofreu de Oriente a Ocidente, mesmo em países de longa tradição democrática. O Papa constatou um aumento das contraposições políticas e a dificuldade, ou até a incapacidade, de procurar soluções partilhadas para os problemas do planeta.

O Pontífice encorajou os países a empreenderem reformas. Manifestou sua satisfação com o Tratado para a Proibição das Armas Nucleares, com sua iminente viagem ao Iraque e o prolongamento do Acordo Provisório entre Santa Sé e China sobre a nomeação dos Bispos. “Trata-se de um entendimento de caráter essencialmente pastoral e a Santa Sé espera que o caminho percorrido continue, em espírito de respeito e mútua confiança.”

O Papa desejou paz para Mianmar, Líbano, Terra Santa e Líbia, e fez votos de que, em 2021, possa-se inscrever a palavra “fim” no conflito na Síria.

Paz também para a República Centro-Africana e Coreia. Para a América Latina, os votos são para que se consiga aliviar as tensões políticas e sociais, “cujas raízes se encontram nas profundas desigualdades, nas injustiças e na pobreza, que ofendem a dignidade das pessoas”.

O terrorismo também preocupa o Santo Padre. Um mal que tem se intensificado nos últimos 20 anos e feito numerosas vítimas entre a população civil inerme. Ele lembrou que, com frequência, os alvos de tais ataques são precisamente os lugares de culto, onde se encontram fiéis reunidos em oração.

Crise dos relacionamentos humanos
Para Francisco, há uma crise que talvez seja a mais grave de todas: a crise dos relacionamentos humanos. Trata-se de uma expressão de uma crise antropológica geral.

O Papa manifestou sua preocupação com a “catástrofe educativa”, acirrada com a pandemia. Isso evidenciou a desigualdade no acesso à instrução, relegando milhões de estudantes a um limbo pedagógico.

A covid-19 impactou também nos relacionamentos familiares, com o aumento da violência doméstica e nas limitações da liberdade religiosa.

“O ano de 2021 é um tempo a não perder; e não se perderá na medida em que soubermos colaborar com generosidade e empenho. Neste sentido, considero que a fraternidade seja o verdadeiro remédio para a pandemia e os inúmeros males que nos atingiram. Fraternidade e esperança são remédios de que o mundo precisa, hoje, tanto como as vacinas”, concluiu.

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