Economia de Francisco: Guilherme Augusto representará Diocese de Luz e relata sobre sua participação no evento

Publicado em: 17 novembro 2020
Pascom

O formiguense Guilherme Augusto Pereira representará Diocese de Luz num grande evento internacional e com a presença do Papa Francisco: o “ Economia de Francisco e Clara”, que terá como protagonistas jovens economistas e empresários de todo o mundo.  O encontro será realizado nos dias 19 a 21 de novembro em live streaming no portal francescoeconomy.org.   A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também fará a transmissão da abertura do evento, ao vivo, por meio de suas redes sociais (@cnbbnacional) na quinta-feira, às 10h (horário de Brasília), 14h em Roma.

Guilherme conta como surgiu  a oportunidade de representar a Diocese no evento.

O encontro surgiu através de uma carta feita pelo Papa Francisco em maio/2019, convidando jovens que vivem em áreas relacionadas a economia, como estudantes,  empresários, dentre outros. E desde então senti chamado a participar do encontro que seria em março de 2020 na cidade de Assis na Itália. O encontro é embasado na espiritualidade de Francisco de Assis que como cita o Santo Padre: “Da sua escolha de pobreza brotou também uma visão da economia que permanece extremamente atual. Ela pode dar esperança ao nosso amanhã, não apenas em benefício dos mais pobres, mas da humanidade inteira”.

Como bacharel em Ciências contábeis pelo Centro Universitário de Formiga (UNIFOR/MG), estando apto para fazer parte, enviei o pedido e o projeto para ingressar no encontro, tendo apoio do UNIFOR/MG e da Diocese de Luz, que colaboraram enviando uma carta de apresentação para o evento. Fui escolhido para estar dentre os 2000 jovens participantes de mais de 120 países de todos os continentes. Senti-me honrado a estar presente nesse evento que visa mudar o olhar da economia mundial: buscando a justiça, a fraternidade e a equidade com as bases do Evangelho de Jesus Cristo.

O encontro não contará somente com jovens católicos, mas de diversas crenças e religiões, mostrando que é possível mostrar os valores cristãos respeitando a todos, pois buscamos o mesmo ideal: uma economia fraterna.

Infelizmente devido a pandemia, as atividades presenciais foram paralisadas no primeiro momento e o evento foi transferido para 19 a 21 de novembro. Mas podemos continuar as reuniões preparatórias e formar nossas equipes regionais através da internet, colaborando para um crescimento e troca de experiências. Formamos a Articulação Brasileira para a Economia de Francisco e Clara que já se integra mais de 200 jovens de todos os lugares do Brasil. Fico honrado em representar meu município de Formiga/MG e a Diocese de Luz nesse evento internacional, comenta Guilherme.

Em minha profissão, como contador, quero mostrar aos empresários, gestores, governantes e a toda sociedade quão é o importante crescermos economicamente juntos, sem exclusões, levando oportunidades a todos através do conhecimento, como diz o sumo pontífice: “As vossas universidades, as vossas empresas, as vossas organizações são canteiros de esperança para construir outras modalidades de entender a economia e o progresso, para combater a cultura do descarte, para dar voz a quantos não a têm, para propor novos estilos de vida”.

Guilherme é um jovem bastante atuante dentro dos movimentos e das atividades da Igreja Católica, em especial, na cidade de Formiga. É integrante do Projeto Seja Luz –  Um programa direcionado por jovens  da cidade de Formiga com o objetivo de levar a boa nova de Jesus Cristo por meio das redes sociais, todas as terças-feiras às 22h30, com a intenção de meditarem a palavra, reflexões e orações.

Confira um pouco mais o que Guilherme contou ao Portal da Canção Nova sobre suas expectativas em relação ao evento.

  1. Para você, como é participar deste evento engedrado pelo Papa Francisco? Como se sente?

É uma grande honra poder fazer parte da Economia de Francisco, esse encontro liderado pelo Papa Francisco e tantos outros professores e colaboradores que já contribuem para uma sociedade mais fraterna. Como jovem me sinto motivado e desafiado a buscar formas de transformar a economia como uma oportunidade para um mundo mais irmão, como o próprio Francisco de Assis nos ensinou com sua vida e experiência evangélica ao encontrar o próprio Cristo no próximo, deixando pra trás uma vida que visava poder,  fama  e bens materiais.

  1. Assim que o Santo Padre anunciou o projeto “Economia de Francisco”, quais foram seus primeiros pensamentos a respeito?

Desde o momento que li a carta escrita pelo Santo Padre em maio de 2019, senti que ela era endereçada a mim, pois percebi que um pouco do meu conhecimento sobre economia que acumulei na vida pessoal, acadêmica e profissional sempre foi direcionada para os valores cristãos. Ouvi uma voz que gritava dentro de mim,  senti a vontade de  servir a Deus, com os meus conhecimentos pessoais e profissionais, assim percebi que era possível  fazer parte de um evento que visa promover equidade e fraternidade na sociedade, fazendo da cidade onde vivo e também do mundo um lugar melhor.

  1. O Papa, ao anunciar este projeto, pede novas maneiras de se levar adiante uma economia mais inclusiva. À luz dos ideais de fraternidade católico, você acredita que é possível que o modelo de economia capitalista contemporânea consiga distribuir o poder aquisitivo de maneira mais equânime?

A economia deve ser feita para melhorar a vida das pessoas. Ao longo de toda história da humanidade podemos notar que sempre houve um avanço na melhoria de vida da população. Entretanto muitos problemas ainda não foram vencidos, como a desigualdade social, a má gestão do dinheiro, principalmente por entidades públicas que tem os recursos, mas pela corrupção e pensamento mesquinho, não destinam para onde realmente necessita de auxílio, que é a população mais carente. O dinheiro nunca foi o problema em si, mas a visão que se tem dele sim, pois quanto mais se tem mais se quer, mesmo que isso signifique retirar do nosso irmão mais sofrido. Por isso acredito que devemos mudar o foco de como olhar para o crescimento econômico: crescendo juntos, com equidade e justiça, vamos transformar o nosso mundo e mudar a vida de todas as pessoas.

  1. Em sua opinião, como o jovem cristão pode contribuir para este modelo de economia inclusiva proposto pelo Santo Padre?

O primeiro passo para o jovem é ver como estou utilizando seus recursos financeiros: é uma forma consciente ou impulsiva? Visando o todo ou somente o seu umbigo? Isso é importante, pois a economia engloba desde o desmatamento e queimadas, mercado de trabalho, moda, tecnologia, política, entre tantos outros temas. Tudo tem seu princípio econômico, assim o jovem consome produtos que são em prática mais baratos conhecidos como “produtos piratas”, incentivando empregos abusivos, motivando um mercado que destrói vidas e sonhos, pois impede pessoas de crescerem profissionalmente e podendo levar diversos inocentes a prisão, por ser algo ilegal.

  1. Em sua opinião, a pandemia reforçou o que o Santo Padre vem dizendo há tempos, de que o mundo está cada vez mais centrado no materialismo e uma reforma econômica inclusiva é urgente?

O materialismo presente nos dias atuais quebra a visão comunitária, assim se perde a essência do que é ser humano, nos tornando cada vez mais virtuais. Vivemos um momento crítico com a pandemia do Covid-19 e as pessoas, principalmente os jovens, buscam os meios virtuais, trazendo novos desafios para mostrar de forma reflexiva sobre a relevância da vida em comunidade. Devemos compreender a importância do próximo e o quanto nós precisamos uns dos outros. Mesmo na simplicidade de qualquer ação ou profissão, todos nós somos importantes.  Deus concedeu dons a cada um de nós e devemos colocá-lo em função dos outros. Por isso, deve-se impulsionar governantes, educadores, familiares, empresários a estimular e incentivar as pessoas a buscarem alternativas na educação e nos meios financeiros para desenvolver em cada indivíduo o seu melhor através do conhecimento e de recursos financeiros. Todas as atividades profissionais são necessárias para melhorar a sociedade e precisam de apoio, através de uma base econômica que possa dar suporte a todos, sem fazer nenhuma distinção.

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