Dia da Fraternidade Humana: padres enfatizam o apelo à humanidade

Publicado em: 4 fevereiro 2021
Bernadete Seixas

Em tempos de pandemia, data criada pela ONU tem significado peculiar, especialmente para os mais necessitados

Thiago Coutinho
Da redação

mãos unidas como símbolo da fraternidade humana

Nesta quinta-feira, 4, o Santo Padre celebrará o Dia Internacional da Fraternidade Humana, data instituída pela ONU / Foto: Barbara Bonanno por Pixabay

Nesta quinta-feira, 4, celebra-se o Dia Internacional da Fraternidade Humana, data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU). Neste mesmo dia, mas em 2019, o Papa Francisco e o Grande Imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyib, assinaram o “Documento sobre a fraternidade humana pela paz mundial e a convivência comum”.

O apelo da data já seria importante, mas adquire novos contornos nesse cenário de pandemia. Na encíclica Fratelli tutti, Francisco centrou seu discurso em um apelo por um mundo mais equânime, com menos desigualdade. Tentar viver isso diariamente é uma meta cristã.

“Convite feito não só aos cristãos, mas a toda humanidade, para ser acolhido e testemunhado”, afirma o padre Marcus Barbosa Guimarães, assessor da Comissão para o Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso da CNBB.

“O desfio é o de irmos além do anúncio da fraternidade em palavras, de alcançarmos atitudes, gestos e ações concretas que a expressem num mundo tão ferido. Ou seguimos o caminho da Fraternidade ou estaremos todos contra todos”, alerta Papa Francisco em sua encíclica.

Para viver a fraternidade é necessário dar o exemplo, adverte o padre Anderson Marçal, da Comunidade Canção Nova. “O cristão é aquele que realiza as coisas no dia a dia e é assim que construiremos um mundo mais justo e menos desigual”, pondera.

Pandemia e fraternidade

A pandemia chegou trazendo uma verdadeira mudança no dia a dia. Esta, porém, pode ser a chance que a humanidade tem de mostrar seu lado humano.

“Precisamos optar pelo caminho do diálogo, da oração, da compaixão, do cuidado e da solidariedade com todos. Especialmente com os mais vulneráveis e pobres”, ressalta padre Marcus.

“Devemos ter a consciência de que temos que nos preocupar com o outro, mesmo que este outro não seja alguém do nosso convívio ou que não gostamos”, afirma o padre Anderson. “A pandemia nos faz pensar nesta fraternidade, ela nos faz adquirir isso”, acrescenta.

A mensagem que fica é: preocupe-se com a pessoa ao seu lado. “Partindo do cristianismo, já que o Senhor nos mandou amar a todos”, recorda padre Anderson.

Ninguém se salva sozinho

Na encíclica Fratelli tutti, o Santo Padre apresenta uma frase simbólica: “ninguém se salva sozinho”. Nesta perspectiva do Pontífice, a Igreja lembra que chegar até Jesus é passar por todos que estão ao lado, sem ignorá-los, especialmente os mais necessitados.

“Ninguém se salva sozinho, não porque tenho necessidade das pessoas ao meu lado, mas porque elas estão ao meu lado. E não há como ir até Jesus se eu não ajudar o irmão”, ratifica o padre Anderson.

“Concentrando-nos pra valer no mandamento do amor, com preces, súplicas, palavras e ações, experimentamos a certeza de que ninguém se salva sozinho”, acrescenta padre Marcus.

Além disso,  a oração que Jesus ensinou, o Pai Nosso, é composta no plural. “É uma oração no plural porque a minha condição existencial me leva a conceber que para chegar à salvação tenho que passar pelas pessoas que estão ao meu lado”, observa o padre Anderson.

Cultura do descarte

cultura do descarte é um tema recorrente no pontificado de Francisco. Trata-se de outro tema que reacende a importância desta data dedicada à Fraternidade. “Precisamos de uma nova cultura em que ninguém se sinta inútil”, ratifica padre Marcus. “Na cultura do encontro cada um é respeitado na sua dignidade como pessoa humana e em seu valor único como Filho de Deus”.

Padre Anderson acrescenta que este pensamento, esta cultura capitalista, força a criar necessidades. “A Igreja nos ensina a ver o único bem essencial, que é Deus”, diz. “Estamos entranhados nesta cultura capitalista. Mesmo dentro da Igreja encontramos isso. E o papel dela deve ser profético, de apontar que o único bem essencial é Deus”.

Premiação e participação do Papa

Nesta quarta-feira, 3, foram anunciados os vencedores do Prêmio Zayed para a Fraternidade Humana. Latifah Ibn Ziaten, fundador da Associação Imad para a Juventude e Paz, e António Guterres, nono secretário-geral das Nações Unidas, foram os vencedores desta edição.

A entrega dos prêmios será em uma cerimônia virtual, apresentada pelo Papa Francisco e o Grande Imã de Al-Azhar.

Fonte: CN

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