Dias de júbilo em celebração aos 50 anos de Vida Sacerdotal de Monsenhor Eustáquio

Publicado em: 15 setembro 2021
Halph Carvalho

Entre os dias 09 e 12 de setembro, a Paróquia São Carlos Borromeu, de Lagoa da Prata, recebeu diversos visitantes, leigos e religiosos, para as festividades do Jubileu Sacerdotal. Foram quatro dias de celebração, rendendo graças pela vida, a fé, a missão e a vocação de Monsenhor Eustáquio.

Toda a festividade foi marcada por uma grande espiritualidade e intensos momentos de emoção e gratidão a Deus. Durante todos os dias da festa, Monsenhor Eustáquio e todos os seus convidados estavam muito felizes, manifestando sinceros agradecimentos ao povo de Deus, ao clero e principalmente à bondade divina.

Á frente da organização das festividades, padre Cássio Wagner Alves Vieira, pároco da Paróquia São Carlos Borromeu, comentou que as festividades marcaram um tempo de muitas graças para a comunidade paroquial “Todas as comunidades, movimentos, pastorais e ministérios se envolveram na organização, compartilharam e beberam da alegria que derramava do coração de Monsenhor Eustáquio, bem como aprenderam e cresceram com tamanho testemunho de fé e dedicação à causa do Evangelho”. Agradece Padre Cássio.

 

TRAJETÓRIA DE MONSENHOR EUSTÁQUIO

Em 15 de junho de 1943, na cidade de Martinho Campos, nascia o menino Eustáquio Afonso de Souza. Filho de Antônio Jacinto de Souza, um militar cuja característica marcante era sua alegria e Alcina Afonsa de Carvalho, fazendeira que podemos destacar a característica da disciplina e austeridade.

A família de Eustáquio contava com oito irmãos, cada um nascido em um lugar diferente, devido as constantes transferências do pai como militar. Eles moraram em Bom Despacho, Pitangui, Leandro Ferreira, Martinho Campos, Paineiras do Abaeté, Carmópolis de Minas.

Quando criança, Eustáquio passou por momentos difíceis de saúde, tendo uma congestão que o fez desmaiar por dois dias e duas noites, escapou de uma triste doença fatal para a época.

Já em sua infância, aos 5-6 anos de idade, uma de suas brincadeiras preferidas revelava um chamado. Eustáquio gostava de brincar de partir o pão, consagrando-o tal qual um sacerdote. Realmente, “vocação sacerdotal é algo que não se pode explicar e nem compreender totalmente, pois é um mistério de Deus na vida daqueles que são chamados e escolhidos”.

O menino Eustáquio também gostava de brincar de circo, principalmente no trapézio. Certo dia, o Sensei, que era dono do circo, colocou o menino em uma escada para se equilibrar no queixo dele. Foi quando o pai de Eustáquio chegou e mandou que descesse a escada bem devagarinho. Passou um sermão no dono do circo e ordenou a Eustáquio que fosse para casa e nunca mais voltasse ao circo. Ali foi encerrada a sua carreira de ser palhaço. Mas até hoje, Monsenhor Eustáquio gosta de uma palhaçada.

Eustáquio foi coroinha na cidade de Bom Despacho. Ao ajudar na Santa Missa, as irmãs Vicentinas da Santa Casa, o incentivavam à vocação sacerdotal. Também contribuiu como incentivadora para sua vocação, sua professora de quarto ano, dona Zeli Ribeiro Handan. O Pai não concordou muito com a escolha do filho em ser padre, porém não o proibiu, mas solicitou que fosse um professor ou outra função.

Em 1957, Eustáquio recebe o diploma de grupo, da antiga quarta série, na cidade de Bom Despacho. Em 28 de janeiro de 1958, Eustáquio matricula-se no Seminário do Caraça, seminário dos Lazaristas, sua matrícula nº 1717. No Caraça, Eustáquio ficou por seis anos. Lá viveu com um regime disciplinar austero, muito forte, duro, marcado por estudos e atividades físicas, como escalar montanhas. No Caraça viveu muitas alegrias e descobriu o apoio para firmar sua vocação: a devoção a Nossa Senhora.

No dia 12 de dezembro de 1963, Eustáquio vivia um momento marcante, soleníssimo, a vestição da batina, que indicava o início dos estudos da Filosofia no seminário. Neste momento, o jovem seminarista sentiu efusivamente que a missão se iniciava.

Em 1966, chega a Moema o Seminarista Eustáquio, indicado por Dom Belchior, Bispo da Diocese de Luz, para fazer estágio com Padre Jonas, que era o vigário da Paróquia São Pedro Apóstolo. Começou sua jornada e foi muito exigido pelo Padre Jonas, que testava sua vocação. Eustáquio, obediente, silencioso, trabalhador, continuava firme em sua vocação. Padre Jonas dizia: “esse seminarista chegará ao sacerdócio e será um grande servidor do povo de Deus”.

Eustáquio trabalhou também como regente de classe na Escola Estadual Caramuru, e junto à professora Dona Rosa Cardoso preparava os planos de aulas. Com o falecimento de Padre Jonas, Eustáquio retornou ao Seminário de Luz, sendo encaminhado por Dom Belchior à cidade de Roma,  na Itália, onde estudou teologia por um período de quatro anos, no Colégio Pio Brasil.

Em Roma, ordenou-se Diácono em 08 de dezembro de 1970. De volta ao Brasil, ordenou-se Padre em 12 de setembro de 1971, pela imposição das mãos de Dom Belchior, na cidade de Bom Despacho. Sua primeira Missa Solene foi em Martinho Campos, sua terra natal, no dia 19 de setembro de 1971.

Os paroquianos de Moema chegaram a pedir Dom Belchior que enviasse o novo Padre para a Paróquia São Pedro Apostolo de Moema, mas Dom Belchior tinha outros planos para ele. Padre Eustáquio foi enviado para a Paróquia São Sebastião, em São Gotardo, onde permaneceu por dez anos, e fundou o ECC – Encontro de Casais com Cristo.

Em 11 de janeiro de 1979, padre Eustáquio recebeu, de Dom Belchior, o título de Monsenhor, e ganhou um anel do Monsenhor Alfredo Dhor, a quem tinha grande admiração. Monsenhor Eustáquio foi pároco e trabalhou como vigário paroquial em várias cidades: Arcos, Divinópolis, Doresópolis, Formiga, Pimenta, Campos Altos, Matutina, Moema e Lagoa da Prata.

O menino Eustáquio caminhou, cresceu e consolidou a frase: “Escolhido para servir o povo de Deus com o Evangelho de Cristo, no amor e na liberdade”.

Colaboração – Elvira Castro

Imagens – Lindomar e Pascom

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