03/05/2018

Funcionalidade do Ser - Por Padre Fábio Costa

A pele trazia as marcas do existir.
Rugas e trincas que revelavam as quedas.
Mordaça imposta pela incapacidade de dizer.

Quanta corda tinha o homem suportado?
Quanta engrenagem interior destruída?

Não era fácil existir.
Funcionalidade exercida no devir.
Alma fadada à morte.

Saber-se assim, mortal e frágil não doía.
Era apenas preciso revisitar os mecanismos.
Lubrificar as partes que rangiam.

Máquina que se esvai.
Pele que se deteriora.
Tempo que machuca.

Esse corpo a cada um doado,
Manipulado pelas regras de outros desejos,
Segue dando sinais de vida
Não se rendendo à perda da liberdade.

É apenas alma dilatada e abatida
Aguardando o eco que sai do interior.
Escuta-se o desejo que grita.
Toma-se o chapéu.
A beleza ainda rege o dom da vida.

 

Pe Fábio Costa

Reitor do Seminário Nossa Senhora da Luz - Diocese de Luz

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