Procissão resgata a história e a importância de Nossa Senhora Aparecida

As celebrações em honra a Nossa Senhora Aparecida reúnem muitos devotos durante os dias da novena preparatória e o dia 12 de outubro no Santuário Nacional de Aparecida (SP).  Um dos momentos mais aguardados pelos devotos de Aparecida e pelos romeiros dos diversos estados brasileiros é o dia 11 de outubro, quando acontece a Procissão Memória. 

A Procissão parte do Santuário Nacional, iluminada pelas luzes das velas dos devotos, com destino ao Porto Itaguaçu, local onde aconteceu a pesca milagrosa do encontro da imagem de Nossa Senhora.

Procissão celebra o nascimento de Nossa Senhora sob o título Aparecida.

O missionário redentorista, padre Domingos Sávio, está há mais de cinco anos em Aparecida, no entanto, há pelo menos 10 anos participa da Procissão que celebra o nascimento de Nossa Senhora sob o título Aparecida. Para ele a celebração significa muito, afirmando que sua participação como sacerdote se mescla com o ser fiel e devoto.

“Para mim isso sempre significou muito, eu não sei se eu fiz essa romaria como sacerdote ou como fiel, devoto de Nossa Senhora, mas sei que sempre fiz isso com muito gosto.”

A primeira Procissão Memória foi realizada no ano de 1994, nesse período o missionário redentorista, padre Jadir Teixeira da Silva era reitor do Santuário Nacional.

De acordo com o Centro de Documentação e Memória do Santuário Nacional de Aparecida, a procissão sempre acompanhou os festejos da Festa de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, mas acontecia ao redor do Santuário e anteriormente no largo da Matriz Basílica. Sendo somente no ano de 1994 que a procissão começou a ir para o Porto Itaguaçu, conforme relata um trecho extraído do Livro do Tombo do Santuário do ano de 1994.

Padre Jadir, reitor da época, explica que a procissão rumo ao Porto Itaguaçu nasceu da necessidade de promover uma maior ligação do Santuário e a comunidade do entorno, visando resgatar a cultura, a fé e a história dos moradores de Aparecida.

“Uma primeira preocupação foi à revitalização do que é o Santuário, Nossa Senhora Aparecida e a história da cidade de Aparecida. Nós percebemos que precisaríamos revitalizar a festa de Nossa Senhora, tendo em vista essa ligação do Santuário com os moradores da cidade.”

Padre Jadir conta que além dos missionários redentoristas, esse processo de revitalização do que é o Santuário teve a participação de diversas equipes de leigos entre eles uma professora da cidade de Aparecida, que contribuiu bastante para o resgate da história. “Quando nós começamos esse trabalho de revitalização, envolvendo equipes e leigos, nós contamos com a colaboração da Professora Zilda Ribeiro, que participou ativamente nessa época colaborando com todo esse processo de regaste da história para a realização da Procissão Memória”.

Para o primeiro ano da Procissão foi realizada uma divulgação, que segundo o padre foi bastante agressiva. “Nós começamos a fazer uma propaganda para o primeiro ano, e nos fizemos uma propaganda um tanto agressiva, porque nos colocamos nas ruas o serviço de alto falante convidando o povo de Aparecida”.

Outra preocupação para a Procissão foi à programação que seria desenvolvida durante o trajeto até o Porto Itaguaçu. “Nós tivemos um esquema para não deixar o povo só caminhando, porque nós queríamos nesse percurso ir jogando os pontos históricos, então nós fizemos o seguinte, a cada 8 a no máximo 10 minutos preparamos uma parada para nesse momento, através do som fazer uma mensagem histórica, e assim foi realizado” narra o padre Jadir.

Há 40 anos vivendo em Aparecida e acompanhado desde o início a Procissão Memória, o missionário redentorista, padre Antonio Augustinho Frasson coloca que a Procissão do dia 11 é uma oportunidade de reviver o passado, fazendo uma ligação para os dias de hoje. “Quem vai para a Procissão Memória, seu próprio caminhar na procissão já é uma reflexão sobre o marco inicial, fazendo uma ligação para os dias de hoje”.

Padre Jadir afirma que a Procissão, criada para resgatar a história dos moradores de Aparecida, foi ganhando a participação de muitos romeiros, mas que tudo aconteceu naturalmente.

“A expectativa nossa era mesmo o povo de Aparecida, mas a procissão ganhou uma dimensão que nós não esperávamos, tendo a participação grande dos Romeiros”.

Nos dias de hoje a Procissão Memória continua a arrastar multidões, unindo moradores de Aparecida e Romeiros de muitos estados para seguirem em oração até o Porto Itaguaçu, revivendo a história do encontro da imagem de Nossa Senhora.

“Eu vejo tudo isso como um resultado muito importante, porque foi a partir de então que o Porto Itaguaçu passou a ser um referencial para os romeiros, sendo muitas as romarias e grupos que primeiro param no Porto Itaguaçu para depois virem até o Santuário a pé, revivendo esse fato e colocando sua vida a Nossa Senhora”, conclui o sacerdote.

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