Texto preparatório para o DNJ – 20 de outubro, em Santo Antônio do Monte

Publicado em: 7 outubro 2019

PRIMEIRO ENCONTRO:

VOCAÇÃO: UMA VIDA DE OFERTA

OBJETIVO

Perceber, por meio do discernimento vocacional, uma vida missionária, que proporciona ir ao encontro os necessitados.

INTRODUÇÃO

Trecho da Exortação apostólica do Papa Francisco: CHRISTUS VIVIT (Cristo Vive)

A palavra «vocação» pode-se entender em sentido amplo como chamado de Deus. Inclui o chamado à vida, o chamado à amizade com Ele, o chamado à santidade, etc. Isto tem um grande valor, porque coloca toda a nossa vida diante de Deus que nos ama, permitindo-nos compreender que nada é fruto dum caos sem sentido, mas, pelo contrário, tudo pode ser inserido num caminho de resposta ao Senhor, que tem um projeto estupendo para nós.

Quero agora deter-me na vocação entendida no sentido específico de chamadoao serviço missionário dos outros. O Senhor chama-nos a participar na sua obra criadora, prestando a nossa contribuição para o bem comum com base nas capacidades que recebemos.

 Esta vocação missionária tem a ver com o nosso serviço aos outros. Com efeito, a nossa vida na terra atinge a sua plenitude, quando se transforma em oferta. Lembro que “a missão no coração do povo não é uma parte da minha vida, ou um ornamento que posso pôr de lado; não é um apêndice ou um momento entre tantos outros da minha vida. É algo que não posso arrancar do meu ser, se não me quero destruir. Eu sou uma missão nesta terra, e para isso estou neste mundo”.Por conseguinte, devemos pensar que toda a pastoral é vocacional, toda a formação é vocacional e toda a espiritualidade é vocacional.

A tua vocação não consiste apenas nas atividades que tenhas de fazer, embora se manifeste nelas. É algo mais! É um percurso que levará muitos esforços e muitas ações a orientar-se numa direção de serviço. Por isso, no discernimento duma vocação, é importante ver se a pessoa reconhece em si mesma as capacidades necessárias para aquele serviço específico à sociedade.

Isto confere um valor muito grande a tais tarefas, pois deixam de ser uma soma de ações que a pessoa realiza para ganhar dinheiro, para estar ocupada ou para agradar aos outros. Tudo isto faz parte duma vocação, mas, porque fomos chamados, há algo mais do que uma mera escolha pragmática da nossa parte. Em última análise, é reconhecer o fim para que fui feito, o objetivo da minha passagem por esta terra, o plano do Senhor para a minha vida. Não me indicará todos os lugares, tempos e detalhes, que eu posso escolher prudentemente, mas certamente há uma orientação da minha vida que Ele me deve indicar, porque é o meu Criador, o meu oleiro, e eu preciso escutar sua voz para me deixar moldar e conduzir por Ele. Então serei o que devo ser, e serei também fiel à minha realidade pessoal.

MEDITANDO A PALAVRA

Lucas 5, 1-11

“Certo dia, quando Jesus estava à margem do lago de Genesaré, a multidão se comprimia ao redor dele para ouvir a Palavra de Deus. Ele viu dois barcos à margem do lago; os pecadores, tendo descido dos barcos, lavavam as redes. Jesus subiu nu dos barcos, o de Simão, e pediu que se afastasse um pouco da terra. Então sentou-se e, do barco, ensinava as multidões. Quando acabou de falar, disse a Simão: “Vai mais para o fundo, e lançai vossas redes para a pesca”. Simão respondeu: “Mestre trabalhamos a noite inteira e nada apanhamos; mas, por tua palavra, lançarei as redes”. Agindo assim, pegaram tal quantidade de peixes que as redes se rompiam. Fizeram sinal aos companheiros no outro barco para que viessem ajuda-los. Eles vieram e encheram os dois barcos, a ponto de quase afundarem. Vendo isso, Simão Pedro prostrou-se aos joelhos de Jesus, dizendo: “Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pecador!” De fato, à vista da pesca que haviam feito, o espanto tomara conta dele e de todos os que o acompanhavam, bem como de Tiago e João, filhos de Zebedeu e sócios de Simão. E Jesus disse a Simão: “Não temas! Doravante serás pescador de homens! ” E depois de levar os barcos à terra, deixaram tudo e o seguiram. ”

PARA REFLETIR

O Papa Francisco nos mostra que a vocação é um caminho de amizade com Deus, que gera em nós uma felicidade profunda e uma paz que não se esgota. Quando falamos de vocação não queremos somente dizer das nossas aspirações pessoais e profissionais. Mas também de uma vida dedicada aos nossos irmãos e irmãs, é um sair de si e ir ao encontro daqueles que mais precisam. É justamente isso que nos mostra o Evangelho, quando Pedro é encontrado por Jesus. O Mestre o convida a ser “pescador de homens”, ou seja, levar para a humanidade a oportunidade de conhecer o Amor que ele conhecera, naquele momento. Outro fato que devemos trazer em nossos corações é que Jesus aproveita daquilo que Predo conhecia: a pesca. O Senhor, ao nos chamar para uma vida de oferta, não exclui nosso passado, mas se utiliza do que temos e somos para anunciar sua Palavra. Por isso, como juventude diocesana, devemos nos perguntar onde Deus nos quer, qual caminho nos levará ao céu e como podemos e devemos ser para os outros.

  • O que entendemos por vocação? A qual vocação me sinto chamado?
  • O Papa Francisco, nos diz que: “Eu sou uma missão nessa terra, e para isso estou nesse mundo”. A partir disso, como entendo minha vocação sendo um chamado à missão?
  • A exemplo do chamado de Pedro, como Jesus nos chama a uma vida missionária? Onde posso exercê-la?

MOMENTO ORANTE

Pedro, após ser chamado pelo próprio Cristo, foi auxiliado por Ele a vivenciar sua vocação e tonar-se “pedra” de sustentação para a Igreja e para todos aqueles que o cercava. Da mesma forma, peçamos ao Senhor a coragem para vivenciarmos nossa vocação, cantando após cada prece:

Leva-me aonde os homens necessitem Tua palavra/Necessitem de força de viver/Onde falte a esperança/Onde tudo seja triste simplesmente por não saber de Ti

  • Senhor, nos permita sermos sempre dóceis a tua vontade, para que assim possamos fazer o nosso discernimento vocacional;
  • Senhor, dai-nos a graça de sermos “sal e luz” em todos os lugares em que estivermos,como constantes testemunhas do teu amor;
  • Senhor, dai-nos a graça de entendermos que nossa vida é preciosa diante de ti, para assim caminharmos em direção ao teu rosto amoroso;
  • Senhor, ensina-nos a viver de forma concreta o teu mandamento do amor, servindo aos irmãos e dedicando-nos a eles.

“Tua vocação te orienta a oferecer o melhor de ti para a glória de Deus e para o bem dos outros” (Papa Francisco)

SEGUNDO ENCONTRO:

JUVENTUDE E POLÍTICAS PÚBLICAS

OBJETIVO         

Elucidar aos jovens a importância da participação nas Políticas Públicas, demonstrando uma atividade missionária em torno dessas.

INTRODUÇÃO

 Em nosso primeiro encontro refletimos sobre a vida vocacional. Entendemos que Deus nos chama a ser no mundo um sinal do seu amor, a transformar o meio em que vivemos por meio de uma vida de entrega a ele por meio dos nossos irmãos e irmãs.

Hoje queremos entender e rezar como juventude diocesana sobre um aspecto dessa vida vocacional de todo cristão: a promoção das Políticas Públicas. Sabemos que as Políticas Públicas é um dever das autoridades constituídas. Contudo, um cristão consciente da sua vocação de promover a vida e o bem-estar dos irmãos entende também que é seu dever estimular e cobrar melhorias na vida da sociedade.

“Como cristãos, somos convidados a participar da discussão, elaboração e execução das Políticas Públicas. O fazemos porque somos discípulos missionários, anunciadores de um novo Reino, o Reino de Deus. Nesse Reino, somos todos irmãos e irmãs. Nosso agir poderá ser verdadeira obra de misericórdia, ‘felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia’ (Mt 5,7)” (Texto base CF, n. 195).

EM ORAÇÃO

Somos convidados a rezarmos juntos o Santo Terço e, assim, em cada mistério refletirmos sobre nossa ação efetiva no serviço à sociedade. Por isso, em cada mistério, procuremos entender um pouco da nossa responsabilidade com as Políticas Públicas e rezarmos para que os desenvolvimentos de tais políticas aconteçam.

Orientação: sugerimos que cada mistério também seja introduzido com um canto que poderá ser escolhido pelo grupo, de acordo com cada realidade.  Pode-se também ambientar o local do encontro com cartazes com algumas realidades em que os jovens são afetados pelo não cumprimento das Políticas Públicas, para que nos ajude a melhor rezar.

Primeiro Mistério: O batismo de Jesus no rio Jordão

“Reconhecer que somos filhos e filhas de Deus e que fomos criados para cuidar de sua obra, é o primeiro modo de participação que o cristão, cidadão do mundo e do Evangelho, deve exercitar na sociedade” (Texto base CF, n. 208).

Jesus, por meio do batismo no Jordão, dá início a sua vida pública. A seu exemplo podemos entender que o Batismo exige de nós um testemunho do Evangelho no mundo, fomos criados para que sua obra seja anunciada. Por isso rezemos pedindo o auxílio do Senhor para colocarmos em pratica o nosso Batismo.

Segundo Mistério: Milagre de Jesus nas bodas de Caná

“Nos últimos anos, o uso de rede sociais se tornou um campo próprio de extensão da vida cotidiana, sobretudo para as gerações mais novas. Nessa perspectiva, cabe incentivar a utilização delas para fomentar grupos de discussões de Políticas Públicas e não como campo apenas para registrar opiniões e concepções individuais ou mesmo campo para semear agressões e preconceitos” (Texto base CF, n. 227).

A exemplo de Jesus podemos realizar uma verdadeira transformação, mudar a realidade em que nos encontramos. Ele salvou aquele casamento por meio da transformação da água. Nós podemos transformar as redes socais em um lugar para anunciar o Reino de Deus e despertar a consciência dos nossos amigos que a humanidade necessita da nossa ajuda. Peçamos ao Pai a graça da coragem de mudarmos as realidades e de sermos criativos para falarmos das Políticas Públicas.

Terceiro Mistério: Anúncio do Reino de Deus com um convite à conversão

“Todos cristão é convidado a se responsabilizar pelo outro. Cuidar para que direitos e deveres se tornem uma realidade vigente é papel do cristão. A política é um meio para viver em sociedade possa promover a vida digna de todos os cidadãos” (Texto base, n. 228).

Jesus anunciou o Reino, por meio de sua pregação mostrou que veio para devolver a dignidade ao homem. Nós, jovens, somos aqueles que temos toda a força para continuar este anúncio, somos responsáveis por cuidar dos outros. As Políticas Públicas é uma das tantas vias que temos para assumirmos nosso papel. Assim, rezemos ao Mestre suplicando o entendimento que está via também é nosso lugar anúncio.

Quarto mistério: Transfiguração do Senhor

“Faz-se necessário, hoje, convidar e promover a juventude ao engajamento e à participação política, não apenas o incentivo e esclarecimento para o voto consciente, mas como assumir o compromisso social com sua comunidade, com seus irmãos em Cristo. Promover a vida e a dignidade das pessoas é inerente a religião, mas não se pode e nem se deve esquecer que tudo isso precisa ser permeado pelos valores do Evangelho” (texto base, n. 231).

Na passagem da Transfiguração, o Cristo nos elucida a importância do ato de descermos a montanha para que assim possamos evangelizar. Como nos orientam os grandes místicos da Igreja, o ato da contemplação da Palavra deve ser seguido por uma ação evangelizadora. Assim, peçamos ao Senhor a graça de nunca desaminarmos no anúncio da Palavra, sendo fiéis testemunhas do seu Evangelho.

Quinto ministério: Instituição da Eucaristia

“Globalizar a esperança é um indicativo na elaboração de Políticas Públicas e se realiza por meio da construção de relações educativas e pedagógicas que cooperam para criação de grupos embasados na fraternidade, na solidariedade, na justiça e na verdade” (Texto base, n. 239).

Ao instituir a Eucaristia, dando-se inteiro pela humanidade, o Cristo nos dá a verdadeira fonte de esperança. Nela encontramos sustento para nossas lutas diárias e para termos a coragem de anunciar as maravilhas de Deus em nossas vidas. Por meio da intimidade com a Eucaristia, peçamos ao Senhor a ousadia de sermos presença ativa em nossas comunidades, estabelecendo ações construtivas no que diz respeito às Políticas Públicas.

Sugestão: após terem rezado e percebido a importância das Políticas Públicas na vida da Igreja, os grupos podem organizar-se para fazerem trabalhos efetivos em relação a essas.

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